A História da URL

Para entender a história da URL, precisamos voltar a 11 de janeiro de 1982, quando vinte e dois cientistas da computação se reuniram para discutir um problema com o "correio computadorizado" (o que hoje conhecemos como e-mail). Entre os presentes estavam indivíduos que mais tarde criariam a Sun Microsystems, o criador do Zork, o responsável pelo protocolo NTP e aquele que convenceu o governo a financiar o Unix. O problema era simples: havia 455 hosts na ARPANET e a situação estava saindo do controle.

A transição de ARPANET e o nascimento do domínio

Esse problema surgiu quando a ARPANET estava prestes a migrar de seu protocolo NCP original para o protocolo TCP/IP, que é a base do que hoje chamamos de Internet. Essa mudança criaria uma infinidade de redes interconectadas, exigindo um sistema de nomes de domínio mais hierárquico. Nesse sistema, a ARPANET poderia resolver seus próprios domínios, enquanto outras redes resolveriam os seus.

Naquela época, as redes tinham nomes criativos como "COMSAT", "CHAOSNET", "UCLNET" e "INTELPOSTNET" e eram mantidas por grupos de universidades e empresas nos Estados Unidos. Esses grupos queriam se comunicar entre si e tinham condições de alugar linhas de 56k de companhias telefônicas e comprar os equipamentos necessários para o roteamento.

Originalmente, o projeto da ARPANET dependia de um Centro de Informações de Rede (NIC) para manter um arquivo listando todos os hosts na rede, chamado HOSTS.TXT, semelhante ao arquivo /etc/hosts em sistemas Linux ou OS X. No entanto, esse sistema não era escalável indefinidamente.

O nascimento do domínio e a evolução do e-mail

Naquela época, a prioridade era o e-mail, o que representava um desafio em termos de endereçamento. A solução foi criar um sistema hierárquico no qual um sistema externo pudesse ser consultado para obter o domínio necessário. Assim, nasceu o conceito de domínio, e os endereços passaram de "usuário@host" para "usuário@host.domínio", um formato que ainda usamos hoje."

Embora essa decisão não tenha sido tomada com uma visão clara do futuro, ela foi escolhida por causar menos problemas nos sistemas existentes.

UUCP e as rotas Bang

O sistema UUCP, criado em 1976, permitia que os computadores se comunicassem por meio de rotas chamadas "Bang Paths", pelas quais arquivos ou e-mails podiam ser enviados. Esse sistema foi um precursor da internet pública que conhecemos hoje.

DNS e os primeiros TLDs

O sistema DNS, que ainda usamos hoje, foi proposto em 1983. O DNS resolve domínios em endereços IP e permite que os usuários encontrem sites com eficiência. Os primeiros TLDs (domínios de nível superior) incluíam .com, .gov, .org, .edu e .mil, que ainda são amplamente utilizados atualmente.

O sistema DNS foi projetado para ser hierárquico, com um conjunto de servidores raiz responsáveis ​​pela resolução de domínios. Atualmente, o sistema DNS raiz consiste em treze clusters de servidores. Historicamente, as respostas do DNS eram tratadas usando pacotes UDP, limitando a resposta a 512 bytes.

Punycode e a internacionalização de domínios

Com o crescimento e a expansão global da internet, surgiu a necessidade de dar suporte a caracteres não latinos em nomes de domínio. Isso levou à criação do Punycode, um sistema que converte caracteres Unicode (como letras chinesas ou árabes) em ASCII, tornando-os compatíveis com a infraestrutura existente.

O Punycode não foi a primeira proposta para resolver esse problema, mas foi adotado por ser eficiente na codificação de caracteres e garantir que os nomes de domínio sejam compreensíveis tanto para máquinas quanto para usuários.

Protocolos, portas e o componente "extra"

O protocolo mais comum que usamos para acessar sites é o HTTP, inventado por Tim Berners-Lee especificamente para a web. No entanto, outros protocolos como FTP e Gopher também eram populares nos primórdios da internet.

A porta padrão para HTTP é a porta 80, atribuída nos primórdios da web. Isso permitia que os navegadores acessassem páginas da web via HTTP sem precisar especificar a porta na URL.

A barra dupla "//" que separa o protocolo do restante da URL foi emprestada de um sistema de computador anterior chamado Apollo. Embora Tim Berners-Lee tenha expressado arrependimento por essa decisão, ela permanece como parte do padrão de URL até hoje.

O caminho para o futuro: Fragmentos, URNs e autenticação

Os URLs também incluem trechos, representados pelo símbolo "#", que permitem criar links para uma parte específica de uma página. Além disso, parâmetros de consulta e credenciais de autenticação podiam ser adicionados ao URL, embora essas práticas tenham sido substituídas por métodos mais seguros e eficientes.

Embora os URLs tenham evoluído desde sua criação, eles continuam sendo uma parte crucial do funcionamento da web. Mesmo com a proposta de sistemas mais avançados, como os URNs (Nomes Uniformes de Recursos), os URLs continuam sendo a maneira mais eficiente de identificar e acessar recursos online.

Este artigo explora como a URL evoluiu desde seus humildes começos na ARPANET até se tornar uma das peças mais essenciais da infraestrutura da internet. Ao longo dos anos, houve inúmeras propostas, erros e avanços que nos levaram ao sistema de endereçamento web que usamos hoje.

 

Artigo original de Zack Bloom | 05 de maio